segunda-feira, 18 de julho de 2011

Esperança

Como escrever sobre a fome?
Sobre guerras, desconstruções de nosso planeta?
Como atingir os corações?
De pessoas que não enxergam essa realidade!
Como fazer para que possam enxergar?
Como alcançar a paz, sem precisar de luta?
Como espalhar amor?
Se a fome já corrói o coração!
Como fechar os olhos?
Se esta tudo ao seu redor!
E a educação, quando será proliferada?
Quando haverá mais corações do que maquinas?
Quando a sensibilidade será mais importante do que a rispidez?
Quando prevalecera a justiça?
E não mais existira preconceitos?
Quando as estrelas poderão brilhar mais forte?
E quando os olhos brilharão, sem lagrimas, só por alegria?

Autor: G.Cardoso

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pensamento

O pensamento sobrevoa a razão
O ser interpreta, critica, refuta, diz: não
Volta às origens, abandona o escuro, sai da caverna
Aceita o pensamento, entra em consenso!
Desmitifica, grita, ascende uma lanterna
Indaga, e na palavra busca um poder intenso
Cresce se reproduz e não morre
Clama por sabedoria, e a ela socorre.

Autor: G.Cardoso

Perguntas de um trabalhador que lê

Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes destruída
Quem a ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
Moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo
quem os levantou?
Sobra quem triunfaram os césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios
Para os seus habitantes?
Mesmo na legendaria Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Os que se afogavam gritavam pelos seus escravos?
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses.
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua Armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem, venceu alem dele?
Uma vitória em cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?
Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as suas despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas

Autor:Bertolt Brecht

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Novo Ícaro

Queria voar!
Então saltei aos céus,
Mas esqueci minhas asas!

Autor: G.Cardoso

(Texto de um amigo)

De um amigo cristão!!

Olá poeta como andam o lápis, a caneta, as linhas retas?
Com insensatez? Ironia? Esquizofrenia? Sabedoria?
De Deus? Do inferno? Do errado? Do certo?
Do amor? Da paixão? Do amigo? Dos filhos? Dos soldados?
Dos bandidos? Dos políticos? Dos livros? Dos mestres? Do violão?
Com certeza? Com duvida? Na residência? Na rua?
Com emoção? Ficção? Razão?
Conscientização! Pois sendo assim será sempre,
Um verdadeiro Gideão ... 

Autor: Vinicius Batista                                                                      

sábado, 30 de abril de 2011

Me diga criança!

Me diga criança,
Por que esta chorando?
Não gostas da dança?
Deveria estar cantando

Me diga criança,
A vida esta ruim?
Falta esperança?
Não penses só no fim

Me diga criança,
Não sabes mais sorrir?
Só pensas em vingança?
Um dia ira parir!

O trabalho a cansa?
Então senta descansa
Deixe o mundo La fora
Deixe a tristeza ir embora

Quer um colo, um abraço?
Pegue um cigarro do maço,
Escolha um filme para assistir,
E esqueça a dor que a por vir

Autor: G.Cardoso

Grilo

Escuto lá fora o grilo cantar
Dentro da escola assovio a pensar
Se eu grilo tivesse nascido
Diria que a escola canta enquanto eu assovio

Autor: Geliston

Sonhando

Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida - ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
              Não corras na areia,
              Nãi corras assim!
              Donzela, onde vais?
              Tem pena de mim!

A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma;
De noite - aos serenos - a areis é tão fria,
tão úmido o vento que os ares perfuma!
              És tão doentia!
              Não corras assim!
              Donzela, onde vais?
              Tem pena de mim!

A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor;
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
              Teu pé tropeçou...
              Não corras assim!
              Donzela, onde vais?
              Tem pena de mim!

E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou;
Sentou-se na praia; sozinha no chão
A mão regalada no colo pousou!
              Que tens, coração,
              Que tremes assim?
              Cansaste, donsela?
              Tem pena de mim!

Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de ne tremia.
              O seio gelou?...
              Não durmas assim!
              Ó pálida fria,
              Tem pena de mim!

Dormia - na fronte que níveo suar!
Que mão regelada no lânguido peito!
Não era mais alvo seu leito do mar.
Não era mais frio seu gélido leito!
              Nem um ressoar!...
              Não durmas assim!
              Ó pálida fria,
              Tem pena de mim!

Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios tue seio aquentar,
Teu colo, essa faces, e a gélida mão!
              Não durmas no mar!
              Não durmas assim.
              Estatua sem vida,
              Tem pena de mim!

E a vaga crescia seu corpo banhado,
As candidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
              Nas vagas sonhanda
              Não durmas assim;
              Donzela, onde vais?
              Tem pena de mim!

E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpedo véu!
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
              Nas águas do mar
              Não durmas assim!
              Não morras donzela;
              Espera por mim!

Autor: Álvares de Azevedo

domingo, 27 de março de 2011

De vermelho é pichado!

Acorda cedo,
Mas cedo não volta!                                                    
Passa até medo
Medo e revolta,
Angustiado o coitado
-Trabalho desalmado!

Escute a prece
De um pobre iludido
Da vida que esquece
Que o torna bandido

Com honra escute
O desespero no grito,
E não se refute!
Não é um mero mito

De vermelho é pichado
O asfalto e o muro
Pobre coitado
Descansa no escuro.
E ainda assim pensa na labuta
Que o afastou de sua vida, curta.

Autor: G.Cardoso

Poema cachaça

Eu queria fazer uma poesia
que fosse clara como a luz do dia
para ser consumida como pão.

Uma poesia assim,
agridoce como a fruta do mato,
pura como a água do regato,
melodiosa como uma canção.

Uma poesia assim,
que trouxesse beleza em cada rima,
para ser cantada no trabalho,
para ser batucada na marmita,
para ser comentada nas esquinas.

Uma poesia assim,
comum e popular como a cachaça
que se bebe barato, que é de graça,
que é do rico, do pobre, do sem nome.
Uma poesia que todos entendessem
como todos entendem a palavra amor,
ou palavra fome...

Autor: Castelo Hanssen